... ainda era uma menina, apaixonei-me.
Foi aquela primeira paixão arrebatadora.
Em que acreditava que o Mundo era belo e que havia a fidelidade nas relações.
(ai que ingénua que era... acreditava que ninguém traía ninguém. Oh God!) Andava com um sorriso parvo, sempre que via o tal rapaz a passar. Ficava tímida e corava quando ele olhava para mim. Se ele estava triste, eu estava triste. Se ele estava Feliz, eu mais ainda.
Assim foi durante quase dois anos. A tentar conquistar aquele, que julgava ser o amor da minha vida. Sem nunca desistir, nem mesmo depois de ele me dizer "Só vou namorar contigo quando deixares de ser GORDA!" Um "gorda" que ecoou durante imenso tempo na minha cabecinha. Um "gorda" que me fez deixar de comer durante uma semana e ficar com anemia. Um "gorda" que me fez perder toda a auto-estima que tinha. Um "gorda" que nunca mais me saiu da cabeça... (vocês poderão dizer que, se dizia isso era porque não gostava de mim a sério. e concordo. Acontece que quando se está naquela fase complicada, mais conhecida por "idade da parva", as coisas não são assim. E marcam-nos. Marcam muito. )
Bem.. continuando e esquecendo que sou GORDA...
Lá eu deixei de comer, emagreci um bocadinho e então começámos a namorar. Eu gostava mesmo dele. Na altura era tudo para mim.
(tadinha de mim, era Burra que só visto.) Foram uns mesitos engraçados. Tudo na ingenuidade, mas com muita paixão à mistura...
Até ao dia em que ele decidiu emigrar. Foi para fora de Portugal viver com uns tios. Aí parecia que o meu mundo ia acabar. Chorei baba e ranho, mas continuámos a namorar por telefone e cartas (sim! na altura haviam as cartas. lembram-se o que isso é? lol) Até ao dia, em que atendeu uma rapariga do outro lado e me diz "Quem fala? Eu sou a namorada do M." Aí foi o pior dia da minha vida (julgava eu. é assim com os desgostos de Amor.) Desliguei o telemóvel e nunca mais falei com ele. Soube depois, através da mãe dele que namorava com outra rapariga e que até já viviam juntos. Nem imaginam o que isso foi na altura. Foi o Drama. Felizmente com o passar do tempo, vi que não passou de uma paixão de criança.
Isto tudo para vos dizer o quê?? Ontem, e pela primeira vez depois desta longa história, voltei a ver o tal rapaz. Passados uns 12 anos (?)
Lá ia eu, com uma Amiga para o café, íamos a rir, Felizes e Contentes, quando dou de caras com o M. Continua igual. Cruzes. Ele olhou-me e virou a cara. Fingiu que não conhecia. Eu olhei-o e fui dizer-lhe olá. Sim! Fui lá cumprimentá-lo. Estava com os pais e eu nunca deixei de falar com os pais dele, não ia ser mal-educada ontem. Obviamente que não passou de um "olá tudo bem? vá, tenho dir..."
Depois disso fiquei a pensar em como as pessoas mudam. Eu que naquela altura pensava que não ia conseguir viver sem ele, agora vejo que não passou duma paixão de criança. Uma coisinha sem importância.
É assim quando se vai a caminho da velhice e se olha para trás... Ai vida!